Novembro Azul: Câncer de próstata costuma ser silencioso; saiba como se prevenir



Basta sentir uma dorzinha ou notar algo estranho no corpo, que muita gente corre para a internet em busca de um diagnóstico. Mas é preciso ter muito cuidado com isso, principalmente no caso de câncer de próstata, doença que costuma ser silenciosa. Em homenagem ao Novembro Azul, campanha de conscientização na prevenção e no diagnóstico precoce de tumores malignos, o CORREIO conversou com profissionais que podem te ajudar a driblar o preconceito.

De acordo com o oncologista clínico Vinicius Carrera, da Clínica AMO (Assistência Multidisciplinar em Oncologia), o exame anual é fundamental para homens a partir de 50 anos, ou 45, caso haja histórico na família ou seja um pacientes negros, que apresentam risco maior de manifestar a doença. “É uma recomendação da Sociedade Brasileira de Urologia. É necessário procurar um urologista para avaliar a próstata anualmente. Isso envolve o exame de toque retal e um exame de sangue chamado PSA. Mas, apenas o exame, não é suficiente. Cerca de 15% dos pacientes que tem câncer, tem o PSA normal. Por isso é importante o exame de toque”, explica.

O médico diz ainda que o tumor malígno de próstata é um dos mais comuns entre os homens e que a chance de cura, quando há diagnostico precoce, é acima de 95%. “O câncer de próstata é o tumor maligno mais frequente em homens, quando se exclui o câncer de pele não melanoma. A estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) é que acontecem 60 mil casos por ano.Eles estimam que um a cada seis homens pode desenvolver a doença. É uma doença muito frequente porque não há métodos preventivos. Sabe-se que a atividade física, o controle de peso e uma dieta pobre em carne vermelha e rica em vegetais diminui a chance de tumores em geral, mas não existe nada específico para se prevenir desse tipo de câncer. Mata muito pouco, desde que descoberta precocemente, porque aí há tratamento antes de uma possível metástase”, diz.

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde da Bahia (Sesab), 2.624 casos de câncer de próstata foram registrados no estado no ano passado. Já neste ano, de janeiro até o dia 18 de junho, foram registrados 723 pacientes com a doença. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), em 2017, de janeiro a dezembro, foram registrados 244 mortes em Salvador por causa de câncer de próstata. Já neste ano, de janeiro a agosto, foram 156 vítimas fatais.

Embora silenciosa, a doença pode manifestar alguns sintomas. O urologista Paulo Furtado, do Centro de Urologia do Hospital Português, faz alguns alertas.

“É, de modo geral, uma doença assintomática. Mas, quando o paciente sente alguma coisa, geralmente é dificuldade para urinar, gotejamento após a urina, dor na pelve, sangramento na urina ou na ejaculação e até problema no funcionamento dos rins. O problema é que existe outra doença, muito mais comum que o câncer de próstata, com esses mesmos sintomas, que é a hiperplasia prostática benigna, que nem mesmo é um fator de risco”, avisa.

Um fator que afasta muitos pacientes do consultoria é o preconceito com o exame de toque. Por isso, a importância de uma campanha como o Novembro Azul, que alerta para os riscos de se negar a procurar um médico. Para Furtado, a resistência dos pacientes tem diminuído.

“Já existiu mais preconceito. Eu estou com 20 anos de formado e, naquela época, era muito pior. Muitos pacientes se recusavam a fazer e já entravam no meu dizendo que não fariam de jeito nenhum. Hoje em dia acho que existe uma conscientização maior. Vejo que melhorou a percepção do paciente”, opina.

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