Após ataque na Catedral, Campinas soma 5 chacinas em 5 anos com 38 mortes


O ataque na Catedral de Campinas (SP), que deixou seis mortos na última terça-feira (11), trouxe de volta à tona uma realidade conhecida pelo município nos últimos cinco anos. Desde 2014, a cidade assistiu a cinco chacinas, que somam, juntas, 38 assassinatos. A especialista em psicologia forense Maria de Fátima Franco dos Santos apontou falta de políticas públicas para a quantidade de mortes em série e analisou as particularidades de cada uma delas. Relembre os casos abaixo:
Euler Fernando Grandolpho, de 49 anos, entrou na Catedral Metropolitana de Campinas, abriu fogo contra fiéis durante a missa, matou cinco pessoas e em seguida se matou. Outras três ficaram feridas. Entre as vítimas, quatro tiveram o óbito constado no local. Heleno Severo Alves, de 84 anos, ficou 24 horas internado e morreu na quarta-feira (12) no Hospital Mário Gatti.
Maria de Fátima Franco dos Santos afirmou que, ao analisar as cinco chacinas em cinco anos no município, ela observa que o ataque na Catedral é o único com motivação “isolada”. Segundo ela, a série de 12 assassinatos na região do Ouro Verde em 2014 e as mortes de quatro jovens no Satélite Iris após um baile funk em 2017 têm em comum o fato de acontecerem na periferia e a suspeita de terem acontecido por “algum tipo de vingança”.
Já o assassinato de 12 pessoas, entre elas 11 da mesma família, em uma festa de Réveillon no dia 31 de dezembro de 2016, e a chacina provocada por Antônio Ricardo Gallo, que matou pai, duas irmãs e um vizinho, antes de se matar em outubro de 2017, são crimes de violência doméstica, já que os dois autores conheciam as vítimas e tinham relações familiares com elas.
Por outro lado, para ela, a atitude de Euler Fernando Grandolpho é a única que se mostra causada por um surto isolado. A Polícia Civil ainda investiga a motivação do crime, mas já indicou que o atirador tinha “perfil depressivo”, achava que era perseguido e chegou a escrever bilhetes em um diário citando a palavra “massacre”.
De acordo com a especialista, apesar de apresentarem características diferentes, as cinco chacinas “se encontram” quando o assunto são as causas para os assassinatos. Maria de Fátima afirmou que as faltas de políticas públicas de prevenção tanto para segurança pública, como para casos de violência doméstica e saúde mental, aumentam as chances de acontecerem tragédias como essas em Campinas.
“Tudo gira em torno da falta de prevenção. A série de assassinatos em 2014 foi desencadeada após a morte de um policial militar em um roubo de posto de combustível. A do Revéillon era uma situação mal resolvida entre o autor e a ex-mulher, agora, um problema de saúde mental, e por aí vai. Se houvesse mais prevenção, esses casos poderiam ser evitados”, disse.
Fonte G1
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